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Apagão na Europa: Um alerta crucial para o Brasil

Imagem da área de uma usina nuclear localizada em Angra dos Reis.

27 min de leitura

Jean Silas Prates Gonçalves[1]

Em 2025, a Espanha enfrentou um grande apagão ao depender demais de fontes intermitentes. Entenda por que o Brasil corre o mesmo risco e como o gás natural e a energia nuclear são cruciais para a soberania energética do país.

Olá! Meu nome é Jean Silas. Abordaremos a energia elétrica, utilizando o recente apagão europeu como um espelho do futuro que nos aguarda, caso não mudemos nosso rumo.

Meu objetivo é simples: alertar, informar e mobilizar. Dessa forma, o artigo vai além das manchetes e das narrativas ideológicas, buscando apresentar os fatos, os números e as escolhas estratégicas que definirão o destino energético do Brasil nas próximas décadas.

1. O apagão hipotético de 2025 na Europa: um alerta para o Brasil

Em 28 de abril de 2025, a Espanha vivenciou um dos maiores apagões da Europa[2] mergulhando o país no escuro. Nesse ínterim, 60% da demanda energética espanhola desapareceu, paralisando hospitais, metrôs e aeroportos. Em seguida, o governo chegou a declarar estado de emergência em regiões críticas como Madri, Andaluzia e Extremadura.

Antes de mais nada, a causa foi uma queda brusca na geração solar (15 GW[3] perdidos instantaneamente), combinada com a falta de estabilidade no sistema elétrico. Sem inércia rotacional, backup[4] adequado ou interligações robustas com outros países, o colapso foi inevitável. Este evento, acima de tudo, serve como um alerta global.

O Brasil, infelizmente, caminha para repetir os mesmos erros: hidrelétricas vulneráveis, potencial nuclear subutilizado e gás natural desperdiçado. Ou seja, se não agirmos agora, poderemos pagar o preço de uma matriz energética mal planejada e influenciada por ideologias externas que colocam nosso futuro em risco.

Portanto, este artigo busca ir além das manchetes, investigando a fundo o problema e mostrando como podemos garantir a soberania energética do Brasil com decisões estratégicas, urgentes e, acima de tudo, possíveis.

2. O que causa um colapso energético como o da Espanha?

O apagão hipotético na península Ibérica resultou de uma falha sistêmica. Como resultado, os Relatórios da Red Eléctrica de España (REE) apontam que tudo começou com uma queda abrupta de 15 gigawatts (GW) de energia solar no sistema[5] . Para contextualizar, a capacidade total da Usina Hidrelétrica de Itaipu é de 14GW – ou seja, uma quantidade de energia equivalente à de Itaipu simplesmente desapareceu em segundos. O problema principal foi a ausência de uma resposta robusta do sistema.

Matriz energética dependente de fontes intermitentes

A rede elétrica espanhola operava com mais de 70% de sua matriz dependente de fontes intermitentes[6] (59% solar e 12% eólica). Embora essenciais para a transição energética e a redução de emissões, essas fontes não garantem geração contínua. O sol não brilha sempre, o vento nem sempre sopra, pois ambos dependem do clima no planeta. Ao passo que se há uma queda repentina na geração, sistemas mal preparados podem entrar em colapso.

A crucial Inércia rotacional

A inércia rotacional, um conceito técnico muitas vezes pouco compreendido, é fundamental para a estabilidade da rede elétrica[7]. Em outras palavras, ela é gerada por usinas com turbinas pesadas movidas a vapor, como as hidrelétricas, termelétricas e nucleares. Dessa forma, essas turbinas armazenam energia cinética, agindo como “giros cósmicos” que mantêm a frequência da rede estável mesmo diante de variações súbitas.

Usinas solares e eólicas, por outro lado, utilizam eletrônica de potência (inversores) e não possuem partes mecânicas girando constantemente. Por isso, não oferecem estabilidade natural ao sistema e necessitam sempre de apoio de fontes confiáveis, como o gás natural ou a energia nuclear.

Um Erro Custoso

A Espanha investiu pesadamente em tecnologias limpas, mas negligenciou a necessidade de uma rede elétrica forte o suficiente para suportar falhas. O custo disso foi alto. Quando a geração solar caiu, não havia backup – nenhuma usina térmica, nenhuma central nuclear, nenhuma linha de interligação robusta. Como resultado, houve uma escuridão geral. Este cenário destaca a importância crítica de ter fontes estáveis e diversificadas. Contudo, uma simples mudança climática pode desencadear um apagão nacional.

3. Os Investimentos da Espanha

A Espanha apostou alto na “transição energética” sem garantir a estabilidade necessária. Entre 2015 e 2024 o país investiu mais de €70 bilhões (cerca de R$380 bilhões) no desenvolvimento de tecnologias limpas.

Principais obras e suas limitações

  • Expansão da capacidade Eólica: A Espanha adicionou mais de 25GW de capacidade eólica em 10 anos, tornando-se um dos maiores produtores europeus. No entanto, grande parte desse esforço foi feito sem o planejamento de um backup estável;
  • Usinas solares gigantes: Projetos como Núñez de Balboa e Alto Tajo, com capacidades superiores a 500MW[11] cada, foram marcos na geração solar. Contudo, quando o Sol não brilhou como esperado, a falta de compensação para a perda súbita de geração foi um problema;
  • Modernização da rede elétrica: Apesar do objetivo de conectar zonas produtoras (Noroeste e Sul) ao consumo (Madri e Catalunha) através de linhas de alta tensão, a interligação regional permaneceu frágil. A ausência de linhas robustas deixou partes do país isoladas durante o apagão hipotético de 2025;
  • Armazenamento de energia: Este foi o maior gargalo do sistema. Com apenas 0,3% da demanda em capacidade de armazenamento (cerca de 1GW/3GWh), a Espanha não conseguiu suavizar a queda súbita da geração solar. A meta original era atingir 20GW/40GWh até 2030, um indicativo da lacuna existente.

Onde a Espanha Falhou?

Apesar do grande investimento a Espanha cometeu erros críticos, sendo:

  • Fecharam usinas térmicas e nucleares, subestimando sua necessidade;
  • Priorizaram a expansão de renováveis sem uma infraestrutura de apoio adequada.
  • Não investiram suficientemente em armazenamento e backup.

O resultado? Quando o Sol e o vento falharam, não havia como compensar a perda repentina de 15GW de geração solar. Esse cenário, poderia ter sido evitado, serve como lição.

4. Como o apagão poderia ter sido evitado? Lições críticas para o Brasil

Antes de tudo, a principal lição do apagão europeu é que nenhum país pode abrir mão da estabilidade energética. Isso tem implicações diretas para o Brasil, que enfrenta desafios semelhantes, e até piores.

Matriz diversificada: não aposte tudo em uma única fonte

A Espanha optou por uma transição energética rápida e mal planejada. Nesse meio tempo, fechou usinas a carvão e reduziu investimentos em gás e nuclear, pois acreditou que poderia depender apenas de solar e eólica, resultando em um sistema frágil e vulnerável.

Por outro lado, o Brasil não pode repetir esse erro. Atualmente, o país tem um grande potencial em hidrelétricas, eólica, solar e biomassa. Contudo, precisamos urgentemente de gás natural e energia nuclear. São fontes estáveis, previsíveis e fundamentais para a continuidade do fornecimento. Definitivamente, uma matriz diversificada não é apenas uma escolha técnica, mas uma decisão estratégica de soberania.

Armazenamento de energia: o futuro passa pelo hidrogênio verde

A Espanha, com apenas 0,3% de sua capacidade instalada em sistemas de armazenamento, ficou extremamente vulnerável. Quando a geração solar caiu, não houve compensação em tempo real, levando ao colapso do sistema. No Brasil, temos a oportunidade de evitar esse cenário, mas ainda enfrentamos o desafio de armazenar a energia limpa gerada pelas fontes renováveis, especialmente a eólica no Nordeste.

Em 2025, o Brasil já contará com uma base promissora de 22GW de capacidade eólica e 14GW de solar. No entanto, em 2024, 34% da energia eólica produzida no Nordeste foi desperdiçada por falta de armazenamento[12].

Primeiramente, à noite, a energia eólica gera muito, mas o consumo é baixo. Assim, sem armazenamento, o sistema desperdiça essa energia[13]. Então, o hidrogênio verde entra em cena. Além disso, usamos energia renovável para produzir hidrogênio verde por eletrólise da água. Depois, podemos armazená-lo por anos e usá-lo para:

  • Gerar eletricidade em usinas termelétricas a hidrogênio, mesmo sem vento;
  • Abastecer veículos pesados e indústrias com combustíveis de baixa emissão;
  • Por fim, servir como reserva estratégica energética, garantindo a estabilidade do sistema.

Assim, esta tecnologia é ideal para o Ceará e o Rio Grande do Norte. Nessas regiões, a alta incidência eólica não encontra demanda local equivalente[14]. Então, nesses locais, podemos converter o excesso de geração eólica em hidrogênio. Assim, transformamos vento em energia armazenável.

Além disso, projetos promissores já estão em andamento. No Ceará, a SPIC Brasil desenvolve uma unidade piloto de hidrogênio verde que integra parques eólicos offshore[15]. Paralelamente, no Rio Grande do Sul, a White Martins testa o uso do hidrogênio como fonte secundária de energia em centros industriais[16]. Portanto, investir em hidrogênio verde garante que não desperdicemos a energia renovável de hoje amanhã.

Interligação regional: fortaleça as linhas de transmissão

O Brasil possui 179 mil quilômetros de linhas de transmissão, mas ainda há regiões inteiras isoladas do sistema nacional. Roraima, por exemplo, depende quase totalmente de energia importada da Venezuela. O projeto mais importante para integrar a região, a linha Tucuruí–Macapá–Manaus, sofre atrasos desde 2016 e está prevista para 2027. Isso é um caso emblemático de falta de prioridade à soberania energética nacional.

Outros projetos importantes também estão paralisados ou ameaçados:

  • Linha Manaus–Boa Vista[17]: Após anos de atraso, está 80% concluída e prevista para setembro de 2025, ligando Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
  • Transmissão Nordeste–Sudeste (Linha NESE II): Com previsão de operação em 2026, é crucial para integrar o país, levando energia limpa do Nordeste para o Sudeste.
  • Interligação Amazônica: Projetos de ampliação da linha Rio Madeira e novas conexões em Rondônia e Pará são vitais para evitar ilhas energéticas na Amazônia, mas seguem sem data definida. Cada dia de atraso nesses projetos é um dia perdido na luta pela autonomia energética brasileira.

Enquanto a China avança com redes inteligentes, o Brasil parece satisfeito em ver estados inteiros dependentes de energia estrangeira. Isso não é política energética, é submissão estratégica. É preciso coragem política para construir uma infraestrutura condizente com as necessidades futuras.

Resistir a pressões ideológicas: o ativismo ambiental e o progresso

Na Espanha, a pressão de grupos ambientalistas levou ao fechamento de usinas térmicas e nucleares, e agora o país volta a queimar carvão. Esse ciclo, infelizmente, se repete no Brasil. ONGs[18] internacionais têm influenciado decisões estratégicas, travando projetos de gás natural, nuclear e hidrelétricas, enquanto empresas estrangeiras avançam na exploração de nossas riquezas sem barreiras.

O Greenpeace, por exemplo, atuou contra a expansão do pré-sal e a construção de Angra 3. A 350.org, financiada por fundações europeias (como a Open Society Foundations de George Soros), pressionou contra a exploração de petróleo e gás no pré-sal e o Marco Legal do Gás Natural. A WWF age contra grandes hidrelétricas no Brasil, como Belo Monte e Tucuruí, apesar de apoiar barragens na Europa ou nos EUA. A ISA – Amazônia também se opôs à exploração da Margem Equatorial, enquanto empresas como ExxonMobil e TotalEnergies receberam licenças.

Essa “dupla face” não é coincidência. Muitas dessas ONGs agem sob orientação de governos estrangeiros e grupos de pressão que buscam manter o Brasil dependente de tecnologia e energia externa. Enquanto isso, a economia brasileira paga o preço: indústrias fecham, estados ficam isolados e o país perde competitividade global.

5. A fragilidade da matriz energética brasileira: estamos preparados?

Se a Espanha, um país desenvolvido, sofreu um blecaute por má gestão energética, o risco para o Brasil é ainda maior, considerando que:

  • As hidrelétricas respondem por cerca de 60% da matriz elétrica nacional, mas sua eficiência está diretamente ligada ao regime de chuvas, um problema crescente. O Brasil enfrentou três grandes crises hídricas nos últimos 20 anos.

Crises Hídricas Recentes no Brasil:

  • 2001: Racionamento nacional e impacto econômico profundo;
  • 2014–2015: Seca severa no Sudeste, com reservatórios do Sistema Cantareira em 15% da capacidade, exigindo uso caro de termelétricas;
  • 2021–2024: Seca histórica, com queda de 30% na geração hidrelétrica, aumentando custos e riscos de apagões.

Em 2024, os principais reservatórios do Sistema Cantareira (SP) atingiram 38% da capacidade, e no Nordeste, a vazão do Rio São Francisco foi reduzida em até60%[19 ]. Segundo o ONS[20] [21], a região Sudeste-Sul, responsável por mais de 70% da demanda energética, é a mais vulnerável às oscilações climáticas, com dependência hídrica superior a 80% da geração total.

O Brasil na contramão do mundo

Enquanto outros países investem em fontes diversificadas e sistemas de backup robustos, o Brasil ainda segue na contramão. Temos hidrelétricas vulneráveis, Angra 3 paralisada desde 2015 e gás natural sendo queimado no mar. Apesar disso, nossa posição geográfica, recursos naturais e know-how[22] tecnológico nos colocam em uma posição privilegiada.

O problema não é a falta de potencial, mas a falta de coragem política para aproveitá-lo. Se continuarmos assim, seremos o próximo país a sofrer um colapso energético. E não será por falta de opções, mas por falta de planejamento, coragem e resistência à pressão ideológica externa.

O Brasil tem tudo para ser uma potência energética continental. Mas enquanto dependermos quase exclusivamente das chuvas e ignorarmos o gás natural, a energia nuclear e o armazenamento, continuaremos a assistir passivamente enquanto outras nações avançam.

6. Angra 3 paralisada e o gás natural negligenciado

Segundo a BP Statistical Review of World Energy (2022)[23], o Brasil ocupa a 6ª posição mundial em reservas de gás natural, com 7 trilhões de metros cúbicos, sendo mais de 90% no pré-sal.

Líderes em Reservas de Gás Natural (trilhões m³):

  1. Rússia: 47;
  2. Irã: 33;
  3. Catar: 25;
  4. Estados Unidos: 13;
  5.  Brasil: 7.

Apesar desse imenso potencial, grande parte desse recurso é desperdiçada. Um relatório da Petrobras (2024) indica que cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural são queimados por dia no mar (principalmente nas plataformas de Libra, Lula e Sapinhoá) por falta de infraestrutura de escoamento.

Esse valor equivale a:

  • 30% do consumo diário nacional de gás natural;
  • R$ 4,2 bilhões por ano em receita perdida;
  • Energia suficiente para abastecer 12 milhões de lares por mês.

Enquanto países como Rússia lucram bilhões exportando gás, o Brasil queima 14 milhões de metros cúbicos por dia no mar. Um desperdício inadmissível.

Angra 3: Uma usina estratégica que não sai do papel[24]

Com capacidade de 1.405MW, Angra 3 poderia abastecer aproximadamente 4,5 milhões de pessoas – quase toda a população do Rio de Janeiro. Seria uma usina que garantiria energia limpa, estável e soberana. No entanto, está paralisada desde 2015, não por falta de tecnologia, mas por pressão de grupos ideológicos e interesses externos.

O licenciamento ambiental foi travado pelo IBAMA[25], sob pressão de ONGs internacionais como Greenpeace e 350.org, que atuam contra projetos nucleares no Brasil, mas não questionam iniciativas semelhantes na Europa ou nos EUA. Especialistas apontam que a demora na conclusão de Angra 3 já custou ao país mais de R$ 20 bilhões em investimentos e perda de estabilidade. Com ela em operação, o Brasil reduziria drasticamente o uso de termelétricas caras e poluentes, poupando dinheiro público e diminuindo o custo da energia para o brasileiro.

Por que isso acontece? Interesses geopolíticos e ideológicos

A paralisação de projetos estratégicos não se resume à burocracia, mas a interesses geopolíticos e ideológicos que visam manter o Brasil dependente de tecnologia e energia externas. ONGs como o Greenpeace, financiadas por fundações europeias, lideram campanhas agressivas contra o programa nuclear brasileiro, usando narrativas alarmistas sem respaldo científico real. Documentos vazados em 2023 mostraram que a 350.org, ligada à Open Society Foundations de George Soros, comunicava-se diretamente com parlamentares brasileiros para prejudicar o Marco Legal do Gás Natural.

Quem são os grupos antinucleares no Brasil?

Os principais responsáveis pela sabotagem do projeto nuclear brasileiro são ONGs ambientalistas internacionais, muitas financiadas por fundações europeias e norte-americanas:

  • Greenpeace Brasil: Atua contra Angra 3 com campanhas alarmistas;
  • WWF (World Wildlife Fund) – Escritório Brasileiro: Oposto a grandes hidrelétricas e usinas nucleares no Brasil, mas apoia projetos similares na Europa;
  • Instituto Socioambiental (ISA) – Amazônia: Trabalha com redes internacionais para bloquear investimentos em infraestrutura estratégica;
  • 350.org – Filial Brasileira: Financiado por fundações como a Open Society Foundations, participa de campanhas contra o Marco Legal do Gás Natural e o programa nuclear.

Essas ONGs atuam em campanhas midiáticas e lobby político, pressionando parlamentares e órgãos ambientais. Frequentemente, defendem interesses geopolíticos que visam manter o Brasil dependente de energia externa.

Por que eles estão errados? A segurança e importância da energia nuclear

A energia nuclear é segura, limpa e essencial para qualquer matriz energética moderna. Países como França, Rússia, China e EUA baseiam parte substancial de sua geração elétrica nessa fonte, garantindo estabilidade, baixa emissão de carbono e independência energética. Angra 1 e 2 operam com segurança no Brasil desde 1985 e 2000 consecutivamente, sem acidentes graves ou impactos ambientais negativos.

Além disso, o Brasil domina a cadeia nuclear completa (da mineração do urânio ao ciclo do combustível), o que nos coloca em posição privilegiada. Alegações de que a energia nuclear é “perigosa” ou “antiecológica” são desmentidas  pelos fatos:

  • Baixíssima emissão de CO₂ durante a operação;
  • Altíssima densidade energética, exigindo pouca área física;
  • Estabilidade de geração, fundamental para compensar fontes intermitentes;
  • Tecnologia própria, que fortalece nossa autonomia estratégica.

Em vez de apostar nisso, permitimos que interesses estrangeiros definam nosso futuro energético.

O caso do Tenente-Coronel Albano: um mistério sem respostas

O Tenente-Coronel José Alberto Albano do Amarante era um oficial da Força Aérea Brasileira (FAB) e engenheiro eletrônico formado no ITA[26]. Atuava principalmente em projetos sensíveis de segurança nacional, especialmente em comunicações estratégicas e tecnologia nuclear.

Todavia, faleceu repentinamente em 3 de outubro de 1981, aos 45 anos, vítima de uma leucemia galopante, descoberta tardiamente. Embora oficialmente considerada morte natural, dúvidas persistem. Ele era monitorado por agentes estrangeiros, segundo investigações internas da FAB. Seus conhecimentos técnicos e acesso a  informações sigilosas sobre o programa nuclear brasileiro eram incomuns para sua patente. Relatos indicam que ele estava sob vigilância de inteligência estrangeira nos meses anteriores ao óbito.

Por que sua morte levanta suspeitas?

Em primeiro lugar, a morte de Albano foi inexplicavelmente rápida e ocorreu em um momento crítico. Na década de 1970 e início dos anos 1980, o Brasil acelerava o desenvolvimento tecnológico e militar, incluindo cooperação nuclear independente da influência norte-americana. Dessa maneira, país começava a dominar o ciclo completo do urânio, o que interessava diretamente às grandes potências. Nesse sentido, relatórios da época indicam que Albano tinha acesso à informações sigilosas sobre comunicações criptografadas entre militares e centros de pesquisa nuclear.

Alguns especialistas da comunidade de inteligência brasileira ligaram o caso a atividades de espionagem israelense, citando supostas conexões com o Mossad[27], embora isso nunca tenha sido comprovado oficialmente. Em outras palavras, documentos desclassificados sugerem que o serviço de inteligência brasileiro investigou a possibilidade de intervenção externa, mas o caso foi arquivado sem conclusão definitiva.

Seja por acidente ou ação deliberada, o caso ilustra como o Brasil enfrenta, desde então, tentativas de contenção tecnológica por parte de interesses externos, especialmente no campo nuclear.

7. O que o Brasil tem de positivo hoje?

Juntamente com os desafios, o Brasil possui vantagens estratégicas únicas: recursos naturais abundantes, tecnologia própria e um potencial energético gigantesco.

Potencial hidrelétrico subutilizado na Amazônia

Em primeiro lugar, a Amazônia brasileira detém o maior potencial hidrelétrico do país e um dos maiores do mundo. De acordo com o ONS, mais de 100GW de capacidade ainda não foram explorados na região, o equivalente a cinco vezes a capacidade total de Itaipu. Essa energia seria suficiente para abastecer mais da metade do país, garantindo geração estável, renovável e soberana. Contudo, projetos-chave estão paralisados há anos devido a pressões ideológicas e do lobby internacional.

Dois grandes projetos paralisados: Tapajós e Jatobá

1. Usina hidrelétrica de São Luiz do Tapajós: No Pará, com capacidade prevista de 8.060MW, poderia gerar energia contínua para mais de 25 milhões de lares e reduzir o uso de termelétricas. Lançado em 2015, o projeto enfrenta obstáculos legais e ambientais, principalmente pela oposição de grupos internacionais.

2. Usina hidrelétrica de Jatobá: Também no rio Tapajós, com capacidade prevista de 1.790 MW, complementaria a geração da região. Entretanto, o projeto foi suspenso judicialmente em 2022, sob pressão de movimentos indígenas financiados por ONGs estrangeiras.

Quem está freando esses projetos?

As principais entidades envolvidas na paralisação dessas hidrelétricas estratégicas são:

  • Greenpeace Brasil: Atua contra grandes hidrelétricas na Amazônia, sem propor soluções reais;
  • ISA – Amazônia: Articula movimentos indígenas e grupos internacionais, usando argumentos jurídicos e culturais para barrar projetos;
  • Amazon Watch: ONG internacional com presença no Brasil, atua contra projetos de mineração, petróleo e energia na Amazônia;
  • WWF (World Wildlife Fund) – Filial Brasileira: Intensificou a oposição a grandes hidrelétricas no Brasil, usando critérios distintos em comparação com sua atuação global;
  • 350.org – Escritório Latino-Americano: Trabalha com parlamentares progressistas para inibir o avanço de projetos de infraestrutura no Brasil.

Por que isso prejudica o Brasil?

Além de prejudicar o crescimento econômico, essa paralisia energética afeta a segurança nacional e a competitividade industrial:

  • Mais da metade do potencial hidrelétrico brasileiro está inutilizado;
  • Projetos como Tapajós e Jatobá poderiam reduzir custos energéticos em até 30%;
  • O Brasil desperdiça energia ao investir em solar e eólica sem armazenamento adequado, enquanto hidrelétricas poderiam garantir estabilidade.

O país tem condições técnicas, geográficas e históricas para ser uma potência energética continental. Por exemplo, nós temos o recurso, a tecnologia e a urgência de estabilidade. Todavia, as ONGs estrangeiras e seus representantes seguem bloqueando projetos fundamentais, muitas vezes com interesses geopolíticos disfarçados de causas ambientalistas.

8. Biogás e biomassa: energia limpa a partir do lixo

Resíduos agrícolas, florestais, urbanos e industriais não precisam ser descartados. Dessa forma, o Brasil, eles têm grande potencial para se transformar em fonte de energia limpa, descentralizada e estratégica.

O que é o biogás?

É um combustível renovável produzido pela decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos, como efluentes de suinocultura, resíduos agroindustriais e lixo urbano orgânico. Além disso, o processo gera uma mistura gasosa com metano (CH₄) e dióxido de carbono (CO₂), sendo o metano aproveitado na geração de energia térmica ou elétrica.

“O biogás é uma das soluções mais promissoras para reduzir emissões humanas de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo oferecer uma fonte energética acessível e local”, afirma o engenheiro ambiental Dr. Lucas Fernandes.

A princípio, os principais benefícios do biogás são: redução de emissões: evita a liberação de metano na atmosfera. Ademais, energia descentralizada, ideal para zonas rurais e pequenas cidades. Do mesmo modo, pode ser produzido 24 horas por dia e transforma um problema ambiental em oportunidade econômica.

Projetos pilotos no brasil:

  • Minas Gerais: cooperativas leiteiras usam efluentes de bovinos em biodigestores para gerar eletricidade. Além disso, a EMATER-MG28 mostrou que 100 vacas geram energia para fazendas inteiras[29].
  • Mato Grosso: grandes usinas processam soja e milho e investem em biodigestão. Com isso, produzem biometano para a rede de gás ou eletricidade.

9. Outras fontes renováveis para geração elétrica

O Brasil precisa diversificar sua matriz além da hidrelétrica, eólica e nuclear. Veja as alternativas:

  1. Biomassa florestal e agrícola: usinas queimam resíduos vegetais e madeira certificada em caldeiras. Esse vapor aciona turbinas e gera eletricidade. Por exemplo, mais de 400 usinas de bagaço de cana operam no Centro-Sul.

  2. Lixo urbano → energia (Waste-to-Energy): a Europa consolidou essa prática e converte lixo urbano em energia elétrica ou térmica. Por exemplo, a Usina da Raízen[30], em São Paulo, processa 500 toneladas de lixo por dia. Assim, gera 6 MW para 20 mil lares.

  3. Biometano: o Brasil purifica biogás e o injeta na rede de gás natural ou o usa como combustível veicular. Além disso, usinas termelétricas podem substituir o gás natural por biometano. Redes isoladas no Norte e Nordeste também podem usar biometano e reduzir a dependência do diesel. Com isso, o Brasil pode atingir 70 GW até 2035.

  4. Energia de aterros sanitários: usinas captam o metano que aterros emitem e produzem eletricidade. Por exemplo, o Aterro de Gramacho (RJ) gerou 24 MW para 150 mil residências. Se equiparmos todos os grandes aterros, o Brasil poderá gerar até 5 GW adicionais.

  5. PCHs – Pequenas Centrais Hidrelétricas: são alternativas hídricas de menor impacto e mais regionalizadas. Elas têm capacidade máxima de 30 MW e operam em rios menores. Mais de 500 PCHs operam, e Mato Grosso do Sul lidera a expansão.

  6. Cogeração industrial: indústrias, sobretudo do setor sucroenergético, aproveitam biomassa residual, como bagaço de cana. Assim, geram eletricidade além das próprias necessidades. Por exemplo, a CanaVialis (GO) gera 90 MW e vende o excedente, equivalente ao consumo de 250 mil residências[31]. Indústrias alimentares, de celulose, frigoríficos e vinícolas podem adotar o modelo. Com isso, o país pode gerar até 12 GW adicionais até 2030.

10. Comparação com outros países: onde o Brasil perde terreno?

Para entender a posição do Brasil, comparamos nossa matriz energética com a de outros países desenvolvidos e membros do BRICS:

Matriz Energética Global — Comparativo e Lições para o Brasil

País / Bloco Fonte Principal Estratégia Lição para o Brasil
China – BRICS Carvão + Nuclear + Renováveis Investiu U$ 100 bilhões em energia nuclear até 2030. Não abriu mão de fontes estáveis mesmo apostando em renováveis.
Rússia – BRICS Gás Natural + Nuclear Exporta energia como arma geopolítica. Soberania energética garante resistência às sanções.
E.U.A – G7 Gás de Xisto + Renováveis Revolução do shale gas reduziu custo energético. Investiu em infraestrutura antes de expandir renováveis.
Alemanha – G7 Eólica/Solar + Retorno do uso do carvão Fechou nuclear e pagou caro com crise energética. Erro grave: dependência de combustíveis sujos em crises.
Índia – BRICS Solar + Termoelétricas Expande renováveis, mas mantém backup térmico. Equilíbrio entre crescimento e segurança é essencial.

Atualmente, os BRICS representa cerca de 40% da economia global e mais de 40% da população mundial, liderando a nova ordem econômica. No entanto, o Brasil é o único do grupo que não conseguiu alinhar seu crescimento econômico com uma política energética verdadeiramente estratégica. Enquanto China, Índia e Rússia investem pesado em geração estável (nuclear, gás e hidrelétricas), o Brasil caminha na contramão: hidrelétricas vulneráveis, Angra 3 paralisada e gás natural queimado no mar. Isso não é coincidência; é resultado de falta de planejamento, pressão ideológica e sabotagem externa, que impedem o Brasil de assumir seu lugar como potência energética continental.

11. Conclusão: O Brasil Precisa Agir

O apagão hipotético na Europa é um retrato do futuro que o Brasil corre o risco de viver se não corrigirmos nosso rumo. Recursos não faltam. Por exemplo, temos Sol, vento, urânio, gás e água em abundância. Além disso, tecnologia também não nos falta; somos capazes de construir submarinos nucleares, turbinas eólicas e painéis solares eficientes.

Em suma: o que falta é coragem política, planejamento estratégico e resistência às interferências externas. Cada dia que passa sem resolver Angra 3, sem aproveitar o gás do pré-sal, sem investir em armazenamento de energia, é um dia perdido.

Enquanto isso, famílias perdem empregos, indústrias fecham e o Brasil se distancia de seu destino de potência mundial.

Em outras palavras: É hora de acordar. O futuro começa agora.

Notas de Rodapé:

1 -Jornalista, amante de esportes e que atualmente utiliza seus conhecimentos de escrita em prol do nacionalismo brasileiro.

2 -Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c93g2eqgkxxo

3 – Gigawatt, uma grandeza física de potência.

4 -Da língua inglesa – back up – emprestado da informática, cópia de segurança, ou seja, um sistema que permita manter a rede ativa.

5 -Disponível em: https://www.ree.es/en/taxonomy/term/14

6 -Disponível em: https://www.iea.org/renewables?spm=a2ty_o01.29997173.0.0.198c183fMsCFXi

7 -Disponível em: https://www.iea.org/?spm=a2ty_o01.29997173.0.0.198c183fMsCFXi

8 -Significa “fora da costa” – se refere a uma forma de investir no exterior, seja por meio de uma conta bancária ou de uma empresa constituída em outro país. Em outras palavras, uma offshore existe quando o proprietário da conta ou empresa mora em um país e realiza negócios em outros. Aqui neste caso, refere-se à instalação de torres eólicas no mar.

9 -Disponível em: https://www.cnmc.es/listado/informes_energia

10 -Disponível em: https://www.miteco.gob.es/es/energia/estrategia-normativa/balances.html

11 -Megawatt – uma grandeza física de potência.

12 -Disponível em: https://dadosabertos.aneel.gov.br/dataset/capacidade-instalada-por-unidade-da-federacao

13 -Disponível em: https://movimentoeconomico.com.br/economia/energia/2025/02/27/nordeste-concentrou-75-das-interrupcoes-de-energia-em-2024/

14 -Disponível em: https://eixos.com.br/hidrogenio/hidrogenio-verde-conheca-16-projetos-promissores-em-desenvolvimento-no-brasil/

15 -Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/ingrid-coelho/ceara-ve-oportunidade-em-eolicas-offshore-gerando-energia-para-a-producao-de-hidrogenio-verde

16 -Disponível: https://www.whitemartins.com.br/produtos-e-serviços/gases/hidrogênio

17 -Disponível em: https://www.aneel.gov.br/equipe-da-aneel-vai-a-amazonia-para-fiscalizar-as-obras-do-linhao-manau?spm=a2ty_o01.29997173.0.0.198c183fMsCFXi

18 -Organização Não-Governamental

19 -Disponível em: https://noticias.ufal.br/ufal/noticias/2024/8/pesquisa-da-ufal-mostra-reducao-de-60-da-vazao-do-rio-sao-francisco

20 -Disponível em: https://www.ons.org.br/AcervoDigitalDocumentosEPublicacoes/Relatório%20Anual%20ONS%202024.pdf

21 -Operador Nacional do Sistema Elétrico

22 -Da língua inglesa que significa “saber fazer”, ter conhecimento, dominar o conteúdo…

23 -Disponível em: https://kpmg.com/ua/en/home/insights/2024/07/statistical-review-of-world-energy-2024.html

24 -Disponível em: https://www.eletronuclear.gov.br/Imprensa-e-Midias/Paginas/Angra-3,-uma-decis%C3%A3o-estrat%C3%A9gica-capaz-de-alavancar-a-economia-nacional.aspx

25 -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

26 -Instituto Tecnológico de Aeronáutica

27 -Instituto de Inteligência e Operações Especiais

28 -Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural

29 -Disponível em: https://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/emater-mg-incentiva-construcao-de-biodigestores-em-pequenas-propriedades

30 -Disponível em: https://www.raizen.com.br/sala-de-imprensa/raizen-inaugura-planta-de-biogas-e-consolida-portfolio-de-energias-renovaveis

31 -Disponível em: https://unica.com.br/wp-content/uploads/2020/10/etanol-e-bioeletricidade-a-cana-de-acucar-na-matriz-energetica-brasileira.pdf

Por Jean Silas Diretoria
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