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Gustavo Castañón Quebra Silêncio em Monólogo de 40 Minutos: Defende a Saída de Flávio do País e Exige uma Reforma Eleitoral

5 min de leitura

Professor de filosofia da UFJF faz duro diagnóstico da conjuntura pós-eleitoral, denuncia o modelo rentista brasileiro e condiciona sua atuação política à luta pelo voto impresso auditável.

Retorno às redes e reação ao “cordão sanitário”.

Primeiramente, o professor Gustavo Castañón abriu sua participação no debate do canal Brasil Grande. A live teve participação de Kim Paim, Miguel Brito e Yago Silvério. Castañón fez um extenso monólogo de cerca de 40 minutos. Assim, ele marcou o fim de seu breve afastamento das redes sociais. Além disso, justificou o retorno pela gravidade e injustiça da conjuntura política brasileira. Dessa forma, ele considerou que a omissão era inadmissível.

Em sua fala inicial, ele criticou duramente figuras políticas eleitas com votos da direita. Segundo ele, essas figuras passaram a ameaçar um “cordão sanitário” em torno do bolsonarismo logo após a apuração. Castañón ressaltou que nunca concorreu a cargos nem se beneficiou do movimento. Ainda assim, considerou repudiável abandonar aliados por conveniência política. Para o analista, o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva representará a maior catástrofe política e econômica recente.

Estruturas de poder e o “sistema”

Além disso, Castañón abordou as estruturas de poder no Brasil. Ele rejeitou teorias conspiratórias. Em vez disso, definiu o “sistema” a partir de bases históricas e econômicas concretas. O professor explicou que a elite brasileira migrou historicamente da oligarquia cafeeira e industrial. Dessa forma, ela passou a um modelo parasitário baseado na correção monetária e no overnight durante o regime militar.

Governos e impacto econômico

Em seguida, Castañón classificou o governo Itamar Franco como o último governo verdadeiramente patriótico e nacionalista. Segundo ele, esse governo controlou a inflação inercial via URV. Além disso, encerrou os mecanismos de correção que alimentavam o rentismo. Por outro lado, ele afirmou que o governo Fernando Henrique Cardoso degenerou o Plano Real. Para isso, instaurou um regime de juros reais altíssimos para salvar o setor financeiro. Dessa forma, viciou a elite nacional e consolidou o modelo rentista. Posteriormente, o PT manteve e geriu esse modelo.

Por fim, Castañón argumentou que a elite vendeu suas empresas produtivas para viver de rendas. Assim, o Brasil se tornou o país com os juros reais mais altos do mundo por três décadas.

Análise da Campanha Eleitoral e a Saída de Flávio Bolsonaro

Ao avaliar o desempenho da campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, Castañón apontou que, do ponto de vista eleitoral, a condução cometeu poucos erros graves após incidentes iniciais. Ele ressaltou que, apesar de desatinos cometidos por conselheiros liberais e da postura de outros aliados, Flávio apresentou um desempenho superior nos debates com eleitores indecisos.

Sobre o deslocamento de Flávio para o exterior após o pleito:

  • Proteção Familiar e Estratégica: Castañón classificou a decisão como acertadíssima, argumentando que ela evitou que Flávio fosse transformado em “refém” ou instrumento de chantagem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar processos institucionais.
  • Postura dos aliados no Brasil: Ele defendeu que os parlamentares e líderes que permaneceram no país precisam reconhecer o resultado formal das urnas para evitar a cassação de mandatos, a perda do fundo partidário ou a prisão preventiva.

Perseguição Judicial e Resiliência Eleitoral do Bolsonarismo

O analista rebateu as teses que decretam o “fim do bolsonarismo” ou o enterro político da família Bolsonaro. Castañón explicou que existe uma dinâmica oposta entre a classe política e o eleitorado popular:

  • Mundo Político: À medida que a perseguição judicial se intensifica, o nome torna-se “tóxico” para os políticos tradicionais, que tentam se desvencilhar para construir uma “direita limpinha” ou tucanizada.
  • Base Popular: Para o eleitor comum, quanto maior a perseguição do sistema contra uma liderança, mais essa figura se consolida como o verdadeiro opositor das elites estabelecidas, fortalecendo seu capital eleitoral para pleitos futuros.

A pauta central: modernização urgente do sistema eleitoral

A parte mais enfática do monólogo foi dedicada à crítica do sistema eleitoral brasileiro de urnas eletrônicas de primeira geração sem comprovante físico impresso. Castañón destacou que o modelo adotado no Brasil — compartilhado internacionalmente apenas com o Butão — já foi rejeitado em países como Paraguai, Alemanha e Índia por ferir o princípio da auditabilidade direta pelo eleitor leigo.

Ele alertou que a desconfiança de metade do eleitorado sobre a integridade das urnas destrói o tecido social e envenena a democracia brasileira. Por isso, o cientista político fez um apelo público a todos os parlamentares eleitos pela oposição:

  • Prioridade absoluta: exigir a implementação do voto impresso auditável antes de qualquer outra pauta partidária ou disputa eleitoral futura.
  • Condição Pessoal: Castañón declarou que não participará de nenhum movimento, reunião ou manifesto de oposição que não inclua explicitamente como exigência primária a modernização do sistema de votação no Brasil.

Críticas aos Desdobramentos do 8 de Janeiro

Encerrando suas considerações iniciais, Castañón classificou as condenações decorrentes dos atos de 8 de janeiro como desproporcionais e marcadas por excessos jurídicos. Ele pontuou que atos de vandalismo deveriam ser punidos adequadamente como tais, mas repudiou o enquadramento de cidadãos comuns no crime de abolição violenta do Estado de Direito em um ambiente sem apreensão de armas. Para o professor, o uso do episódio para consolidar narrativas políticas e aplicar penas severas a manifestantes é uma demonstração de fraqueza institucional que apenas adia a eclosão de tensões sociais no país.

Por Redação Brasil Grande

Textos assinados pela redação do Movimento Brasil Grande.

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